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Carta à Poetisa Madalena

[Ilustração não carregada]


Querida amiga.
 
Precisamos registrar aqui, um importante desagravo histórico:
 
Criança, que um dia fui, tanto ouvi falar de uma “Madalena arrependida”.  
Cheguei mesmo a acreditar que todas as Madalenas tivessem do que se arrepender.
 
Mas a verdade perversa é que, amedrontada pela imensa coragem de uma magnífica mulher à frente de seu tempo, a sociedade patriarcal do século primeiro, não encontrou outra alternativa, senão, a de lançar uma mácula no passado dessa brava personagem, na tentativa de encobrir de sombras o seu futuro, transformando-a em prostituta.
Mas a verdade não pode ser silenciada indefinidamente.  E hoje, através de pesquisas realizadas em textos paralelos, vem à luz a verdadeira história dessa importante cristã
 
Num tempo em que a mulher era submissa (mulher não herdava e era tratada quase com uma propriedade.  Morto o marido, passava a mulher e os filhos, à responsabilidde e propriedade do irmão próximo, mais velho do falecido).  Numa sociedade comandada por homens; Maria era Madalena.
 
Não era Maria de João nem Maria de José; era Maria de Magdala (pequena aldeia de pescadores no Mar da Galiléia).  
 
Maria Magdalena ousou ser solteira, num tempo em que a mulher não podia ser solteira.
É a personagem feminina mencionada mais vezes no Evangelho;
Acompanhou Jesus em todas as suas peregrinações;
Esteve presente, durante a crucificação do Rabi, quando todos os outros, à exceção de João, fugiram com medo;
Foi a primeira testemunha da ressurreição.
Foi discípula, sem nunca ter sido considerada assim;
Foi apóstola, sem nunca ter sido chamada assim...
 
Durante o Concílio de Nicéia, Constantino, ao tentar estabelecer o cristianismo como religião oficial romana, necessitava diminuir a importância de Madalena, dando o devido destaque a Pedro e aos demais apóstolos.  A solução foi a de convencionar que madalena teria sido a prostituta arrependida.  A mulher de quem Jesus expulsara sete demônios.
Na verdade, não existe nada nos textos que comprove essa afirmação.  À época, existiam muitas Marias.   Maria (ou Miiriam, na sua forma hebraica) era o nome da mulher de “Herodes O Grande” e por isso, muitas mulheres judias receberam o nome de Maria.
Muitas foram Marias, mas apenas uma foi Magdalena...
 
À ela, o seu devido lugar na história!
 

 

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BRUNO
29/08/2013

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