Site de Poesias

Menu

Os boi da cidade grande

Aqui na metrópole,

nessa grande cidade

Vejo gente com mente pequena

Esbanjando vaidade

 

Esse povo esquisito,

correndo apressado

Corre demais até

Quando é feriado.

 

Fui criado e nasci aqui,

Não deveria falar mal daqui,

da minha terra, do meu berço

 

Mas desde menino,

fui aprendendo co'minha mãezinha

Que uma boa educação 

É sempre o melhor começo.

 

Oh meu grande pai,

Me perdoe por favor.

Se cuspo no prato em que como.

Mas aqui em São Paulo

Tem mais bixo que no interior.

 

Oh meu grande pai,

Me auxilie por favor

Não sei se fico ou se abandono,

Esse povo que nada sabe

Sobre honra e amor.

 

E quando eu saio pra trabaiá

é que começa a correria

dessa boiada desenfreada...

Mal consigo andar de metrô

 

Essa cidade é muito grande

Mas o espaço tá pequeno 

Pra tanta gente  humilde 

querendo bancá o doutô.

 

Desde menino pequenino

O meu pai já me ensinô,

Meu fio cidade grande não é selva

nem sertão mas chove gente seca

sem respeito e sem amor.

 

Oh meu grande pai,

Não sou nenhum vagabundo

Os otro acha que só porque toco viola

Sô um home sem estudo.

 

Mas vem cá, pois eu vô te contá...

esses dias na rotina

Vi um cabra na carçada

Mandando bonito com sua viola

 

E quando eu parei pra ver

o seu tamanho talento

o pobrezinho tava duro

 

Ele tocava pra arrecadar

Dinheiro na sua cartola.

 

Cheguei bem perto dele

Perguntei o seu nome,

Então ele me respondeu:

 

Ah meu fio, meu nome pouco importa

Aqui ninguém nem sequer me nota

 

Só toco mesmo porque tenho filho pra criar

Uma familia inteira pra alimentar

Minha esposa está doente

 

Não vejo a hora de vortar 

pra minha terrinha sagrada

e reencontrar a minha gente

 

Sabe por que?

 

Aqui na metrópole,

nessa grande cidade

Vejo gente com mente pequena

Esbanjando vaidade

 

Esse povo esquisito,

correndo apressado

Corre demais até

Quando é feriado.

 

Não fui criado e nem nasci aqui,

Não deveria falar mal daqui,

dessa terra que eu não conheço

 

Mas desde menino,

Eu aprendi com a minha mãezinha

Que tocar viola para surdo

é como vender boi que não tem preço

 

E assim o homem falou

E eu me vi em sua fala 

Me espelhei em suas palavras

E sua música me conquistou

 

Isso foi o que me bastava

Pra me expulsar este grito

Abafado no meu peito

Posso até ser de São Paulo

Mas o meu espírito...

...está no interior.

 

 

 

 

 

 

 

 

Compartilhar

Uma pequena homenagem à grande maioria dos imigrantes da cidade de São Paulo que estão na correria do dia-a-dia nessa loucura infernal!

Eu realmente fiz o poema de forma pessoal, sou descendente de italiano com espanhol, fui nasci e criado aqui conforme disse nos versos... Guarulhos-SP

Rodrigo Ferreira Santos
06/06/2012