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_ E por doença o Coração Parou _

E de tanta hipocrisia, a verdade juntantamente comigo sucumbiu-se: - Ode ao escárnio.
Essa máscara que fundiu-se em minha face. Não sei ser mais eu. Afinal quem sou eu que não consigo me salvar?!! Afinal, que tento eu tanto salvar? Como eu posso não ser eu?
As vozes que antes supunha esterilizadas voltam. Uma nódoa negra num pano escuro. Uma fonte de inquietação e absurdez. Tudo desconexo, grotesco e ultrajante.
Culmino a dipepsia e nada mais consigo ingerir.
Agarro nesses pensamentos alienados e procuro realizar-lhes, vigorar-lhes algum sentido e razão conceitual. - Dar-lhes-ia algum azilo a estas inquietações se pudesse fundir-las com o real e depois de ludibriar-lhes, trancar-lhes-ia a sete chaves numa prisão qualquer perpétua com suas eloquências.
Tudo isto não passão de frases que nem a pensamentos cogitáveis aliciam. Tormentos acrílicos e detritos transbordantes de imaginação midíocre, medo desconfortante.
Procuro subterfúgios, mastigo a língua que jaz sofrida e mole. Convenções aniquildas ganham vida mas não vivem, estão extásiadas na minha mente. Desordenam tudo. Criam fendas no irreal e açoitam o real. Criam desespero e exaustidão.
- Quem ês tu que dizes ser eu? - pergunto-lhe - Quem há ai capaz de dilacerar e julgar meus actos? Por que se eu sou eu, tu não podes ser eu.
Absurdo, insano,neurótico. Como quebrar este murro ilusório?
Um torpel de vozes gritam sem cessar, o infinito se alastra na minha cabeça que cansada tambem grita, grita por sossego. São obras seculares de tormentos e abnegações.
Defuntos não acordam nem morrem, desintegram-se e somem.
Tirem essa imagem do espelho. A negligência custa a ceder. Um ser procurando lógica de co-existência monóloga. Torrentes interrogatórias de loucuras. Corroem tudo e nada e mais algo que anda por ai e doi.
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No guardafatos ao fundo, a luz finda o estrondo. O silêncio vem absoluto e escuro. Um minuto de paz comigo e comigo próprio... Posso agora repensar e lembrar.
O brilho do diamante que gorgiá deixou almeja outro que não eu. Brilha-me intensamente e ofusca outrem.
Desligo tudo e reencaro-me num espelho no escuro. As questões e insoluções.
Tiro dos olhos as lentes verdes que escurecem a minha natureza e olho denovo. O trajecto que percorro.
Gorgiá que meu chamar não ouve mais, grito e grito... Apavorado e desiludido. Agora que ouves aos anjos e seu sepúlcro não fui regar. Desato-me a chorar: salgo a minha face com estreitos cursos de lágrimas frias, doridas que vão ao chão, encontrar minha morta e em pedaços.
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Sentimentalismo absurdo, pensamentos rídiculos de emoções plásticas e embanhados de oiro barato o tempo passou. Tantas tintas roxas e outras violáceas que usei escorrem pela descarga do banheiro abaixo, simplesmente com um olhar da água e contusões. E ontem não via, não queria... Os sentimentos ficam trancados, nem derretendo a alma eles se vão.
Vem a realidade triste e condolente lamentando meu mundo sem abjecções ilusórias. Vejo-me escuro e negro, sórdido e infeliz. Sozinho.
A retórquica existência... mas o tempo passou. As rugas minhas não desenham sabedoria mas um parque ermo e sujo.
Todo trabalho construindo uma aluição.
Agora eu sou eu e mais ninguém e todas chagas do passado. Dormindo atrás de mim, só agora me fundi com a verdadeira realidade e é tarde. Ao tempo que passou fora de outro que não eu.
Gorgiá, que seus prantos exilam-se como morna chuva sobre mim, desça daí e me perdoe...
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' Unamos a beleza artificial a natureza que sempre foi bela. Nao engulamos nossos filhos em parques suicidas. Beleza é maior com afeto' o crime perfeito.
UM COMENTARIO SÓ E ESTAS LIVRE DE MIM.

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O_crime_perfeito
27/10/2010