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O velho de marrom na estrada

E o velho caminhava
Na beira da estrada
Roupas tão marrons quanto
A terra do quente asfalto
Usava um chapéu de curta aba
O Sol a pino batia-lhe forte
As rugas brilhavam ao longe
Carregava nos ombros
Seu peso e mais de um homem
Era o fruto do seu trabalho, árduo
Recicláveis
Andava diante de carros
Que passavam velozes
Que iam para tantos lugares
Porém, nem se apercebiam do homem
Velho
De marrom
Duas sacolas enormes
O dobro de um homem
Para onde ia aquele velho senhor
Juntar mais coisas
Ou finalizar seu dia de catador?
Não, era cedo
Sol a pino
Muitos cestos por remexer
Papel, plástico, lata, papelão
O que for.
Tudo é válido para o nobre catador
A natureza agradece
Querido senhor
Pois quem dera mais reciclável fosse nossa sociedade
Mais limpa seria e empregos
Assim daria
Um ciclo de vida nova
Fé e energia
Vai velho de marrom na estrada
Catar seus últimos papéis do dia
O peso já lhe é muito por um dia
Amanhã amanhece
E na estrada
O velho de marrom andará
Sem ser visto, notado
Mas ali
Sol a pino
Na estrada, com seus sacos nas costas
Peso o dobro de um homem
Sem nem se curvar

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para o velho senhor que vi hoje, na hora do almoço, na estrada... Botucatu - São Paulo

Marcela Hebeler Barbosa
19/12/2017

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