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O homem que alimentava os patos

 
 
Ela era uma garota ruiva
Que trabalhava no jornal local.
Era inteligente, tinha um bom sorriso
E o mais importante nesse ramo...
Tinha beleza.
Júlio não era tão inteligente
Nem tinha um bom sorriso
E muito menos era belo.
Trabalhava no fundo social da cidade,
Ajudando os famintos e moribundos.
Ela, por onde passava
Fazia alvoroço
Jamais pagava um jantar
Todos a idolatravam.
Júlio adorava seu trabalho.
E muitas vezes deu
seu jantar aos que não tinham.
Ela se sentia uma estrela
Ele sentia-se comovido.
É claro que os dois jamais se conheceram
Embora ele soubesse
quem era a tal “ruiva jornalista”.
Ela alçou vôo
Foi contratada por um grande jornal.
Tornou-se altivamente prestigiada
Casou-se com um intelectual boa pinta
E viveu seus dias em uma grande casa
Em um bom lugar.
Júlio, continuou no fundo social da cidade
Ajudando os famintos.
Não se casou ou teve filhos.
Mas todo domingo ia até o lago
Alimentar os patos.
Ele adorava aqueles patos.
Ela teve uma vida opulenta.
Júlio, uma vida humilde.
As pessoas sempre se lembram da ruiva jornalista.
[até os pobres que Júlio cuidava]
O engraçado é que eu só consigo me lembrar
Do nome de Júlio

 
O homem que alimentava os patos. 

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Vinicius Souza
04/12/2017