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O tempo que criamos

Foi um sonho
Um lindo sonho;

Algumas coisas me parecem fora de tempo,
A idade, por exemplo;
Tudo é lindo em um momento,
Mas a infância é ligeira e precária na memória.

E o sonho, só é sonhado na infância,
Que é quando confiamos em tudo e em todos...

Com a idade avançando
O mundo torna-se mais frio;
Os sorrisos já não lhe compram,
E os olhos não mais enganam.

E tardiamente entendemos
O que deveríamos entender na infância.
Mas neste imenso salão de dança,
Não há dança de alegria...

Há, sim, uma festa à fantasia.
Máscaras, sutileza e elegância;
Onde todos cantam
Bajulando uma criança,
Mas escondendo dela
Sua real alegoria...

Resta-nos, já cansados, porém, elucidados,
Vestir nossas máscaras e irmos aos bailes;
Ou, então, através dos atalhos,
Que só conhecemos com certo atraso,
Sermos dignos e honrados,
Encarando o que somos de fato!
Sem medo, sem culpa, sem vaidade...

Este talvez seja nosso maior dilema:
- Ser honesto incondicionalmente
Diante de sua própria face.

E o tempo, na verdade, não existe.
É um objeto, cujo espaço, determinamos.

 

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Ricardo Lemos
12/09/2017