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Cigana

 
 
Aos Desiludidos
 
Noctívaga, é assim que te enxergo: Noctívaga...
Corpo esbelto, fronte bronzeada, voz como um assobio.
Tentas, mas sutilmente, sem a rudeza da vulgívaga;
Beijas como as sereias: Um calor que traz calafrio...
Noctívaga... é assim que te enxergo: Noctívaga...
 
Absinto de delírio, vôo sem asas, naja espiralada...
Danças faceira, graciosa como as hábeis odaliscas.
Tóxica papoula, névoa ébria de tua face intocada
A qual à mácula rude tu não arriscas.
Absinto de delírio, vôo sem asas, naja espiralada...
 
Frêmito neurastênico à proximidade de tua boca,
E fora de alcance como o corvo que no ar paira
És um doce sonho o qual preenche a existência oca,
Mas retira a concentração da mente que espaira.
Frêmito neurastênico à proximidade de tua boca.
 
Cigana, acaso em paixões teu coração voa?
Quando a toco sinto os espinhos de uma rosa;
E quando somes, a minha voz no vácuo ecoa
Chamando, em vão, à tua presença venturosa...
Cigana, acaso em paixões teu coração voa?
 
Nenúfar exangue, viva estátua... és luxúria...
Eu te procuro na torre de marfim e no caminho de lama.
A trova de anjos e demônios ressoa em fúria
No cérebro demente o qual jura que te ama,
Nenúfar exangue, viva estátua... és luxúria...
 
Treva a qual evanesceu toda a minha luz.
A ânsia que sinto à tua visão e o teu perfume
É como um seráfico halo o qual, todavia, reduz
Minha vida a um ínfimo luminescer de vaga lume...
Ó treva a qual evanesceu toda a minha luz!
 
Ópera do sinistro maestro: O lorde do destino.
Quando a vi pela vez primeira dançando com graça espanhola,
Pensei comigo: “É magnífica, um ser divino...”
(Leda ilusão) És profana, e quando teu quadril requebra e rebola
Vejo a ópera do sinistro maestro: O lorde do destino!
 
Por que cigana em teu amor me esquartejas?
Princesa sandia, orgíaca, mulher fatal!
A um tempo teu sorriso perguntava: “Me desejas?”;
Mas em teu abraço me rasgavas com teu punhal...
Por que... cigana em teu amor me esquartejas!?
 
 
Escrito em 05/02/2009.

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Thiago da Silva Carbone
21/06/2017