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O livro de capa perolada

Já li muitos livros em minha vida
De todos os estilos
Literatura, terror, suspense, romance, ficção, fantasia
Mas
Houve uma pequena época
Que li
Poesia
 
Poesia brasileira
De um único livro
Que hoje
Não sei o seu paradeiro
Perdido para todo sempre está
 
Ele tinha uma capa perolada
E folhas amareladas
Era antigo
Acredito que foi meu tio
Irmão de minha mãe
Que adorava livros
Tanto quanto eu
Que me presenteou
 
Esse meu tio
Em um dia de visita a sua casa
Deu-me tantos livros
Que levei todos em um grande sacão de lixo
 
Peguei um ônibus
E trazia só por companhia
Os vários
Livros
Assim fora a adolescência
 
Carregando todos com tanto carinho
Esperando chegar em casa
Colocá-los na estante
E escolher o que de imediato me agradaria
 
Eram tantos livros
Era difícil escolher
E foi esse de poesia
O primeiro a ler
 
Nomes famosos da literatura
O meu primeiro contato
Com os escritores brasileiros
Já que lia tantos estrangeiros
 
E me diverti
Eram escritores do romantismo
E eu fascinada fiquei
E pensei:
Quem sabe um dia
Assim escrever?
 
O livro de capa perolada
Que tanto me fascinava
Perdido pode estar
Mas guardado na lembrança
Sempre ficará
 
Saudosa
Da adolescência
De uma jovem
Que nunca um dia pensou
Poetisa virar
 
E aqui vai esse poema
Sobre o querido livro
Pequeno
Que com quem estiver
Que não o lixo
Traga sonhos
E quem sabe realidade se tornar
 
Como o sonho de quem por ventura escreve
Hoje sobre ele
O livro da saudosa
Hoje não tão jovem 
Porém
Poetisa
 
Pois estava em sua alma
Do sonho que se criou
Ao lê-lo
Todos os dias
Da sua
Adolescência

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Para meu tio Valdemar (Guegué), obrigada pelos tantos livros emprestados e os dados. Botucatu - São Paulo

Marcela Hebeler Barbosa
18/02/2017

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