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"Amizade"

Ao meu amigo irmão Clecius Emanuel

 

"AMIZADE"

 

Pelas ruas do bairro bicicletas velhas

Carrinhos de lata ou rolimã

Pneus velhos fingindo ser carros

E a amizade de pés no chão

Sujos de barro

 

Era pique-lateiro

Pau na lata, bandeirinha

Caçar rã, catar girinos no antigo terreno da jorgina

Nas casas em construção 

era polícia e ladrão

E de pés no chão sem nenhuma diferença, sem cor ou crença

Apenas meninos, branco e negro

Amigos todos o dias e o dia inteiro

 

Vimos juntos o asfalto chegar

Mas os pés ainda sem calçar

A molecagem era o que valia a pena

A bagunça a caminho da escola Atenas

O campo 11 de julho e a velha ponte

Sem querer nos apontava um novo horizonte

Mas nunca tão longe de uma amizade que nunca se esconde

 

Mas o tempo passou, crescemos

Junto da gente cresceu a amizade

Que nunca perdemos

Agora com menos tempo

Trabalho, família, casamento

Entre uma folga e outra

Festas na Tia Maria

Ou simplesmente sentados

na mesma rua da infância batendo papo

Ou dando um tempo

 

Vieram nossas meninas e o menino Arthur

Com o nascimento deles, nasceu uma nova amizade ou a continuidade

E trabalhamos ainda mais

Para darmos a eles tudo que na infância sonhamos

Mas jamais conquistamos

 

Hoje temos casa e carro

Temos nossos empregos

Ganhamos nosso dinheiro

E um conforto fruto do nosso trabalho

Mas a saudade ainda é da infância

Dos pés no chão e sujos de barro.

 

Autor: André Xavier

 

Poesia escrita em homenagem ao meu amigo irmão Clecius Emanuel, o amigo que vou carregar para sempre comigo, mesmo que estejamos longe.

Você é o melhor amigo que alguém pode ter. Obrigado pelos 34 anos de amizade!

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André Xavier
30/10/2016

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