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Ele e sua poltrona marrom

Ele estava sentado em sua poltrona,
já meio gasta pelo tempo,
era a velha rotina de toda poltrona,
de dia, tarde e noite
no sentar, é para isso que ela valia
No sentar
de qualquer jeito que virou rotina
Nem muito confortável já era seu estofado
e sua coluna torta, ombros reclinados pelo tempo,
tanto fazia para os olhos demais
ninguém o enxergava mesmo
era só mais um
na poltrona de qualquer circulante
Mas na dele não
era o
único apreciador
apesar dele acima no poema reclamar
E era apenas na leitura do jornal semanal de cada café amanhecido amargo que não lhe cabia
que lá ia sentar
Contudo era o fim da vida
estava próxima a partida
Uma aposentadoria pesada
que lhe enfraquecia
Dinheiro ralo
Como um banho rápido que o sabão nem se vê
Sabonete de porcaria.
Como sua vida de anos valeu pouco?
Valeu?
E não é apenas o sabonete
É a luz fraca do banho
E quente espero
Aquecer o esqueleto e a pele enrugada de anos
Merecido ele pensa
Pelo menos sentado em sua poltrona de anos
Mesmo ela cheia de buracos e unhas de gato
Ah, o gato não mais estava presente, fazia tempos, sua ausência
Morreu muito velho
Não acompanhou nem o velho
E nem a poltrona que sua unha um dia gostou
E ali até umas fincou
Não importa
Velho, poltrona
Sua residência modesta
Humildade que mostra
sua poltrona marrom
ainda em uns cantos
Marrom
sim, marrom
Lhe contam os anos
E sua história lhe faz festa
Apesar do restante
Que vá descer pelo bueiro abaixo
E com sua dentadura
De uma risada
Sentado em sua poltrona
Marrom
Hoje
Modesta

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Botucatu - São Paulo

Marcela Hebeler Barbosa
23/09/2016

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