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Cabelos Brancos

[Ilustração não carregada]




Bem vinda seja a juventude que já não tenho,
De braços abertos recebo os dias mais maduros,
No expandir do espírito, e na decadência do corpo.
Morremos a cada momento, e isto é tudo.
Vivemos num confronto constante de vida e morte.
E disto tudo, o que haverá de restar?
Pois certa é apenas a incerteza de existir.
Não há nem porque sorrir ou chorar.
Havemos de ser saldos de racionalidade,
Tentaremos fugir das neuroses que nos causam o sentir,
E mesmo assim seria tolo não almejar o sentimento.
Vai além de nós o que almejamos ou queremos.
Pactuamos sem saber com os destinos, somos proféticos,
E por tanto haver por dizer, haverá sempre o não dito.
A palavra que ficou entre os lábios, perdida para sempre,
No fogo que ficou no olhar, em seu brilho belo e efêmero.
No dia em que o sol exausto de luz cobriu-se de nuvens.
E veio o frio, e afeto esquecido não surgiu,
Não marcou encontro, perdeu-se na nevoa de uma noite,
Onde etéreas brisas agasalharam as dores de uma vida,
E nem sonho ou pesadelos, apenas o prazer de dormir.
Descansar o corpo, leal companheiro de jornada,
Destinado a ser pó, pois do pó nasceu,
Aglutinou-se pela mágica da transcendência divina,
E não pediu explicações, existiu para depois morrer.
E diante do fato, do irrestrito ocorrido,
Já se faz tarde querer saber, estocar menos ignorância,
Na ínfima alegria que oculta-se nas entrelinhas

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Gilberto Brandão Marcon
12/06/2016