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MUNDOS

 
 
 
Acaricio com os dedos minha mesa,
Que sequer é mesmo minha,
Vejo os objetos à esquerda:
Calendário, carimbos, tinta,
E flerto com o telefone engolido pelo silêncio.
Ele nem sabe que eu existo, altivo, à direita,
Ou que é uma coisa que não dispenso:
Range, e um mundo que em mim hiberna,
Fervilha por um tempo.
 
Coisas podem se tornar companhia incrível,
E pessoas podem se tornar coisas, e sem brilho.
Alguns parecem até um misto disso.
É um mundo realmente estranho...
Um mundo onde quase tudo é possível,
Mas esse “quase” é tão “sem-tamanho”,
Que não se sabe se é extremamente grande
Ou inacreditavelmente pequeno:
Um mundo cheio de mundos dentro.
 
Pisco para a tinta, à esquerda,
E pergunto a ela:
Está a fim de um poema?
A tinta, cúmplice, se esparrama toda pela tela.

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Lucilla Guedes
21/07/2015

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