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O Renascer do Amor

[Ilustração não carregada]

 
Foi ao unir os pedaços,


 restos e saldos de desfeitas ilusões


 com umas tantas sobras


 de muitos momentos cheios de encantos,


 que surgiu, como que sombra oculta,


 a intensa rotina do cotidiano.


 Vestida por translúcidos


 tecidos de mistério,


 tingidos em tons de surpresa.


 Num jogo de sutilezas,


 onde a beleza se enche de casualidade.


 Onde um acidental olhar


 promete toda a serenidade perdida,


 mas oculta um coração em chamas,


 uma silenciosa paixão.


 Um fogo interno que faz arder


 em rebelião os muitos sentimentos.


 A possibilidade de um novo sonho


 construído sobre os escombros.


 Medo e coragem digladiam-se


 na ânsia entre passado e futuro.


 Um tesouro oculto,


 guardado em secreta caverna,


 uma benvinda ilusão.


 O risco da dor,


 mas a vida querendo ser vivida,


 desejando prosseguir.


 Sempre haverá


 a probabilidade de tristeza


 na conquista da felicidade.


 E como evitar a tristeza,


 se não há quem seja louco


 de não desejar ser feliz?


 Assim, deseja-se a chegada,


 mas temem-se


 as pedras do caminho.


 Assim, quer-se atingir


 o cume da montanha


 sem as dores da escalada.


 Nem tudo, porém, é medo.


 Nem tudo, porém, é coragem.


 Por que haveria


 de ter uma sensatez toda perfeita?


 Ou uma ilusão


 que em sua loucura


 não tivesse um pouco de razão?


 Então, temos uma única certeza:


 a da busca.


 O resto é dúvida


 à espera de descoberta.

 

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Gilberto Brandão Marcon
11/04/2015