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Na face oculta da lua

[Ilustração não carregada]


 O outro lado de um indivíduo,
 como que oculto na face escura da lua.
 Um refugiado em espaços proibidos.
 Não deveria estar por ali,
 mas, na irracionalidade do medo, ficou.
 Deixou seus passos andarem
 em trilhas de um labirinto.
 E quando deu conta de si,
 já vagava em escura floresta.
 Cercado por todos os lados,
 ecoavam soluços de quem chora.
 E pressentia que nas lágrimas
 havia alguma vida,
 mesmo que depois mergulhasse
 em estado letárgico.
 Perdia, assim,
 o significado dos sentidos.
 Estaria em intenso
 calor ou em frio cortante.
 O temor dos meio-termos,
 o temor do limbo.
 E não desejando o nada,
 talvez criasse uma ilusão.
 E não sendo suficiente,
 a transformaria em alucinação,
 para depois domar-se
 com terrível autocontrole,
 num confronto íntimo,
 num choque de polos internos.
 E então o profundo abatimento,
 a exaustão psíquica.
 E novamente domina-lhe o medo.
 E sai em passos atropelados
 da fulgurante floresta.
 E vê-se como náufrago acidental
 a morrer na praia,
 pois que sente-se tão próximo
 e depois à distância.
 No linear entre a vida e a morte,
 decide não querer morrer.
 E a realidade avança sobre a ilusão.
 Já não é naufrago,
 mas observador
 a ver as embarcações
 perderem-se no horizonte.

 

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Gilberto Brandão Marcon
29/11/2014

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