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Poema de um Vegetal

Queria poder gargalhar exageradamente e não sentir o resquício do rancor brecar minha voz.
Queria poder beijar de olhos fechados sem me preocupar com o momento de abrir os mesmos.
Queria poder acordar e não precisar fazer um grande esforço para soerguer meu corpo.
Olhar para o dia e não me incomodar com sua luz.
Olhar para o rosto das pessoas e sorrir sem julgá-las.
Aceitar que minha existência é apenas mais um ponto na multidão, e que nada mais tem menos ou mais importância.
Realizar o meu trabalho como se fosse o mais importante do mundo, e não repudiar o suor e a sujeira digna em meu rosto.
Enxergar a vida com os olhos de uma criança, e não permitir que todos os milagres da natureza transcorram despercebidos como se fossem uma mera formalidade cotidiana.
E por fim, queria poder olhar para o futuro com o otimismo dos que crêem em Deus, e olhar para o passado com a saudade de quem viveu um grande amor.

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Renato Alves
24/07/2014

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